ASPETOS HISTÓRICOS

A Ponte Velha

Ponte Velha sobre a Ribeira de Eiras - reinado de D. Maria I

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A Ponte de Casas da Ribeira, ou Ponte Velha, como é conhecida entre os habitantes desta aldeia, data do reinado de D. Maria I, século XVIII, mais precisamente de 1778, completando, este ano, 228 anos de existência. Foi construída por iniciativa dos moradores de Mação, a fim de evitar as mortes por afogamento que regularmente aconteciam ao passarem os viajantes para o Carvoeiro o rio a vau. Não tendo sido suficiente o dinheiro angariado para a construção da dita ponte, fizeram alguns habitantes uma petição à Rainha para colmatar a quantia necessária. Dessa petição dá-se conta no sítio da Junta de Freguesia de Mação, que aqui reproduzimos.

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Ponte de Casas da Ribeira

Antes de 1779, esta ponte ainda não existia, daí que três moradores tenham decidido abrir uma subscrição pública para que a referida infraestrutura pudesse ser edificada. Assim, conseguiram angariar sessenta mil reis, mas a obra ficou por noventa mil. Como o povo se recusou a contribuir com mais dinheiro para abater a dívida de trinta mil reis, os três indivíduos resolveram enviar uma petição à Rainha D. Maria que, a seguir, se transcreve:
“Senhora! Dizem Caetano Marques, João Roseiro e Manuel Heitor, da vila e termo de Mação, que atendendo não só à utilidade publica mas tambem à urgente necessidade que ha de uma ponte na Ribeira d' Eiras, junto à dita vila, no porto de Casas da Ribeira, e que a estrada da vila de Carvoeiro se faz pelo dito porto, pediram licença à Camara de Mação para tomarem a incumbencia de fazer a dita ponte com as esmolas e ofertas que as pessoas zelosas do bem publico quizessem dar voluntariamente; e com efeito juntaram a quantia de 60:000 reis dos prometimentos voluntarios, por cuja razão entraram conforme o seu cargo e devoção a fazer a dita ponte para se evitar perigos, visto a Camara ser pobre, sem rendimentos.
Acha-se feita e acabada a dita ponte sem que os moradores queiram contribuir voluntariamente com mais esmolas, nem o concelho tem bens de rendimento para dar alguma ajuda de custo, e menos quer lançar a finta que lhe compete pela sua alçada, sem Regia Provisão. E porque o zelo do bem comum deve prevalecer, não é justo que os suplicantes, em lugar de aplauso e louvor, recebam o notavel prejuizo de pagarem o resto das despesas, e que se assim fosse, não haveria quem exercitasse zelo, pretendem que V. Magestade se digne conceder-lhes Provisão para que se possa fintar a vila de Mação e a de Carvoeiro na insignificante quantia de 30:000 rs que restam de divida para serem pagos os mestres e obreiros da dita ponte, a qual importou em 90:000 reis; e tendo-se pago 60:000 resta dever-se 30:000, e estes, repartidos pelos moradores destas duas vilas não chega cada um a pagar 30 reis! Pedem a V. Magestade seja servida conceder-lhes a dita provisão por ser bem comum e utilidade publica.
Mação, 1 de Maio de 1778”.
A monarca foi sensível aos pedidos dos três habitantes de Mação e ordenou que fossem saldadas as dívidas.

A Fonte dos Namorados

Fonte dos Namorados

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A FONTE DOS NAMORADOS

Corria o mês de Dezembro do ano de 1936, quando foi inaugurada a Fonte Velha de Casas da Ribeira, mais conhecida por Fonte dos Namorados. O acontecimento é registado pelo jornal Terras do Tejo, numa linguagem singela e estílo bucólico que tão agradável leitura nos proporciona ao fim de 70 anos. Aqui transcrevemos o artigo:

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A INAUGURAÇÃO DUMA FONTE

(Quadro singelo da felicidade rústica)

«... não era nenhum monumento arquitectónico a fonte de que falamos.

Imagine-se uma boca de mina, aberta na base de um pequeno outeiro, que, todo ensombrado de pinheiros, se prolongava a distância na direcção do norte da aldeia; uma telha meia quebrada, servindo de bica e a receber o abundante e inesgotável jôrroda água límpida, uma bacia natural por êle mesmo cavada, e onde à vontade vegetam os agriões ávidos de humidade.

Do pinhal sobranceiro descia-se à fonte por alguns degraus grosseiramente abertos, havia muito tempo, no terreno saibroso do outeiro...»

... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...

Cremos que nenhum dos leitores desconhece o romance de Júlio Diniz «As Pupílas do Sr. Reitor», do qual transcrevemos êste trecho. A descrição daquela fonte rústica, que serviu de cenário a uma das passagens mais interessantes do famoso romance, podia bem ter sido colhida do natural, da antiga fonte de Casas da Ribeira. Esta era antigamente uma fonte bucólica como aquela que serviu de fundo à cena entre o Reitor, o João Semana, a Clara e o Daniel.

A mesma boca de mina, o mesmo ensombrado de pinheiral, porventura a mesma telha quebrada a servir de bica e a mesma charca em que talvez não houvesse agriões mas havia decerto enrodilhamento de sargaços e bicharocos suspeitos.

Mas o povo de Casas da Ribeira, pouco conhecedor de coisas literárias, entrou a pensar - embora um pouco confusamente - que o bucolismo podia viver aliado à higiene e buscou o que havia de ser interprete das suas justas aspirações junto da Câmara Municipal.

Incidiram unânimes os pensares do povoado na pessoa de José Mangas.

José Mangas, trabalhador conhecido como possuidor de um espírito em que estão bem desenhados o senso prático e a manha rústica, bem compadrado na vila, estava naturalmente indicado para interprete das aspirações dos seus conterrâneos junto da Senhora Câmara.

E desempenhou-se cavalheiramente da missão.

Sondou, parafusou, foi lançando o barro à parede, cautelosamente, manhosamente, com aquele espírito prático popular que fez os rifões como êste: «Apanham-se mais moscas com uma colher de mel do que com uma pipa de vinagre...». E, dentro de pouco tempo, José Mangas lá estava no dia da inauguração oficial da fonte, aguardando, na portela que domina o povoado, o sr. Presidente da Câmara e as pessoas por êste convidadas para assistirem ao acto, entre as quais se contavam o Senhor Francisco e o sr. dr. Salgueiro, o sr. João Cadete e quem escreve estas linhas.

É que o sr. dr. Salgueiro é compadre e, pode dizer-se, inventor do José Mangas, pelo amigo propagandear do seu senso prático e das suas sentenças agrícolas; e, em se dizendo, nas Casas da Ribeira, o Senhor Francisco, já se sabe que é o sr. Francisco Sotana, chefe da secretaria da Câmara Municipal.

É que o sr. João Cadete mostrou quando presidente da Câmara, grande interêsse pelo abastecimento de águas a essa povoação, e a nossa presença era necessária para a crónica do acontecimento.

Nota-se logo que José Mangas ficou apreensivo ao ver que, do automóvel saíam seis pessoas, quando êle esperava só três: o sr. Presidente da Câmara, o sr. chefe da secretaria e o seu compadre. Sem dúvida o desvanece o refôrço da comitiva mas também lhe dá apreensão pela razão que mais adiante se dirá.

O cortejo começa a descer a ladeira íngreme que conduz à ribeira e de aí ao povoado. José Mangas não se conforma com o facto de o automóvel ter ficado lá no alto, porque isso mostra pouca confiança dos visitantes na afirmação que êle faz de que o caminho, com o arranjo que lhe fizera, ficara como a palma da mão. De facto, se ampliássemos, na proporção, a configuração de certas mãos calosas, não haveria que julgar desacertado o dizer de José Mangas.

Quando se chegou à fonte, já o cortejo ia reforçado por alguns habitantes do casal, entre êles o Hermenegildo Canas, que é pessoa de destaque, quere pela estatura, quere pelos seus têres.

Ali se aponta ao sr. presidente da Câmara a necessidade do alargamento da fonte e, sobretudo, da reparação das guardas de entrada. E até se nos afigurou proposital a estada ali de Hermenegildo Canas, como documento vivo comprovativo da urgência da reparação, pois êle, um dia em que a cilha do burro se lhe partira, enfiara pelo boqueirão da guarda desmoronada e fôra por ali abaixo estatelar-se no leito da ribeira, podendo bem ter-se por milagre o êle estar ali, sem ter sofrido uma beliscadura, a depôr sôbre aquela urgência.

José Mangas, que está já um pouca adiante, ao lado do sr. presidente da Câmara, ouve o arrazoado, com um leve encolher de ombros, um pigarrear manso e um quási imperceptível franzir de supercílios de quem sabe bem o que há-de fazer-se.

Mais além, o dr. Abilio Tavares, toma a iniciativa de lembrar a conveniência de pôr guardas num pontão, pois que, tal como está, oferece perigo, e José Mangas acode logo a sacudir a água do seu capote e a firmar a sua posição, dizendo mansamente:

- «É que então inda eu não mandava»:

Atravessa-se o povoado de casas humildes, em que não abunda a cal, que fica ali pelos olhos da cara, e, com o sol já mergulhado para além dos montes, chega-se à fonte.

É uma fonte tôda branca com vazitos de mangericos num frizo singelo. A água fresca, puríssima cai no chafariz, passa daí para o bebedouro dos animais e dêste para uma bacia que é o lavatório público, donde corre para a terra amarela a desedentar milheiros e batatais. À singeleza da fonte, junta-se a singeleza das gentes que vêm vindo do casal e, no esmaecer do dia, o quadro tem tons bucólicos que impressionam.

O sr. dr. Abílio Tavares, sobe ao chafariz, enche um copo de água e faz, com brilho, um breve discurso em que diz do prazer que sente em inaugurar aquele melhoramentoe da obra já realizada pela Câmara da sua presidência, sempre disposta a atender as reclamações justas de tôdas as povoações do concelho.

Assim se inaugurou, com um copo de água autêntico, a fonte de Casas da Ribeira.

Agora a razão do ar apreensivo com que José Mangas vira sair seis pessoas do automável.

É que êle contava apenas com o sr. presidente da Câmara e o Senhor Francisco e tinha trazido para ali apenas duas cadeiras e quatro cervejas que se partilharam fraternalmente.

***

E, regressando a Mação, na noite morna e serena, vinhamos pensando no que há de justo em satisfazer assim as singelas aspirações dos pequenos povoados e em como seria bela a vida se todos os homens se satisfizessem com tão pouco. Êsse tão pouco da vida simples, que é, afinal o tudo para a felicidade humana.

Terras do Tejo, Dezembro 1936

As Alminhas da Ribeira d'Eiras

O Monumento em memória dos falecidos, vulgo Alminhas, construído junto à Ribeira d'Eiras, no local da Ponte Velha, terá sido construído muito antes desta ponte. O mesmo terá sido edificado para proteger as almas dOs que tinham morrido afogados ao tentar atravessar a ribeira naquele sítio, antes da construção da ponte. A imagem original do Senhor das Almas, em bronze, foi há muito roubada e substituída por uma de alumínio. A manutenção do pequeno monumento é feita pela Sra. Arminda Lourenço, cuja mãe já era zeladora do monumento, por este se encontrar na sua propriedade. O dinheiro das esmolas reverte para a celebração de missas por intenção dos ofertantes.

Alminhas em memória dos mortos

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O Tesouro do Porto do Concelho

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Em 1943 foi descoberto, por uma equipa de homens que construía a estrada Castelo-Pereiro, um conjunto de objectos do bronze final. Tal achado foi considerado dos mais importantes em Portugal e na Península Ibérica, ajudando a datar a presença humana na região. O achado foi catalogado e encontra-se em exposição no Museu Arqueológico de Mação. No local da descoberta, a Câmara mandou erigir um monumento comemorativo, com a seguinte inscrição:


Neste lugar do Porto do Concelho se achou em 6 de Março de 1943 o primeiro tesouro do bronze final da Beira Baixa. Joaquim Pires Caratão encontrou, Dr. João Calado Rodrigues salvou, Pde. Eugénio Jalhay publicou. Em louvor da investigação arqueológica do concelho mandou a Câmara Municipal de Mação erguer no próprio sítio este monumento.
5 de Março de 1988


Em breve inseriremos foto do monumento.

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Considerando a próximidade deste achado com a nossa aldeia e a presença das gravuras de Cobragança, é justo concluir que por esta altura o lugar que é agora as Casas da Ribeira já seria também habitado nesta altura.

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Casas da Ribeira nos Censos de 1527 e de 1940

Censos de 1527

Primeiro censo de população da Freguesia de Mação.

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Em 1527, D. João III mandou fazer o recenseamento da população de todo o país. A freguesia de Mação contava então 181 vizinhos ou fogos, assim distribuídos: Corpo da Vila 146, Vale de Ovelhas 6, Foz de Eiras 1, Azenhas de João Dias 2, Rosmaninhal 5, Casas da Ribeira 5, Caratão e Santos 6, Azenhas 10, Pereiro e Azenha do Pero 4, Soma 181 vizinhos.

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Censos de 1940

Em 1940, a Freguesia de Mação registava a seguinte população:

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Freguesia de Mação: Caratão, 201; Carregueiro, 307; Casal Fundeiro, 75; Casas de Albino, 95; Casas da Ribeira, 328; Castelo, 216; Chãs, 27; Corga do Castelo, 122; Levada, 33; Mação, 1413; Mantela, 25; Monte de João Dias, 65; Pereiro, 535; Ribeira do Aziral, 21; Rosmaninhal, 266; Santos, 346; São Miguel, 68; Vale de Abelha, 64; Vale das Árvores, 47; Vale do Monte, 11; Vale de São Domingos, 5; Ventosa, 76; Isolados e Dispersos, 31; Total, 4584

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António de Oliveira Matos, Monografia do Concelho de Mação, Grande Oficinas Gráficas «Minerva» de Gaspar Pinto de Sousa, Suc/res, Lda., Famalicão, 1946, p.66 (citado pelo autor, de Braancamp Freire, Arquivo Histórico, vol. VI, que o copiou do Censo da População de 1527).
(Livro disponível para consulta na Biblioteca Municipal de Mação)

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Domínios da Ordem de Malta

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Em mapa incluso na p. 51 da Monografia, Casas da Ribeira está incluída nos domínios da Ordem de Malta.

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Segundo o prior da Ordem de Malta, na disputa que o opunha à coroa, o domínio da Ordem incluia as terras entre a Ribeira de Eiras e do Aziral, passando pelo Bando dos Santos até à Amêndoa. (1341)
idem, p.61

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